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Toda crença diferente da cristã sofre preconceito, diz líder das Casas de Culto no Tocantins

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa é comemorado anualmente em 21 de janeiro.

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Roberta de Oxoguiã / Foto: Divulgação

Criado há 12 anos, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa é comemorado anualmente em 21 de janeiro. A data serve para alertar sobre o desrespeito às crenças existentes no país.

Apesar de o Estado ser considerado laico, a legislação brasileira proíbe qualquer tipo de intolerância, sendo a prática religiosa livre no país.

A presidente da FECCAMTO (Federação das Casas de Culto de Matriz Afro Brasileira), Roberta de Oxoguiã, de nome sagrado Iyalorisa Ifalore Efuntolá, contou que o culto da sua religião já é uma tradição muito antiga, originária da África.

A Casa Branca da Serra – Ilè Asé Funfún Osoguiã tem como tradição o culto a Orixá, e o culto a Orixá no modelo antes da vinda dos negros escravizados da África para o Brasil”, disse explicando que há diferentes cultos a Orixás.

No Brasil, a forma mais conhecida popularmente é o candomblé, que é uma mistura, um culto afro-brasileiro. Mas também existe o culto a Orixá prédiáspora, que é na forma como o Orixá era cultuado na África.

 Festejos das Águas de Oxalá – outubro de 2018 / Foto: Divulgação

Principalmente como potências divinas na terra, os Orixás são energias, são forças individuais com características próprias que receberam de Eledumare (comparado ao conceito cristão de Deus criador, supremo) a incumbência de ocupar e dominar as energias e forças da natureza na terra.

Cada Orixá rege um elemento da natureza, tem na sua história o domínio de alguma atividade que é fundamental para o ser humano. Essa é a síntese da crença em que Deus está presente na natureza, na forma das suas potências divinas, que são os orixás”, disse Roberta de Oxoguiã.

A presidente da FECCAMTO falou também sobre o preconceito vivido diariamente pelos praticantes das religiões de matriz africana. “As pessoas que trajam de branco, que usam fios de conta coloridos, que usam panos ou lenços ojás na cabeça são identificadas como ‘macumbeiros’ sem que as pessoas saibam direito o que é isso”, disse.

Um termo que foi utilizado de forma depreciativa e para dizer que são pessoas ligadas às práticas do mal, isso é uma ideia que foi impregnada desde a época da escravidão, de que a religiosidade do negro era inferior à do branco, e de que era voltada para fazer o mal”, contou ela.

Roberta de Oxoguiã também afirmou que todos os cultos de origem em alguma crença diferente da cristã ou que é anterior ao cristianismo, passa por muito preconceito.

As pessoas que trajam de branco, que usam fios de conta coloridos, que usam panos ou lenços ojás na cabeça são identificadas como ‘macumbeiros’ sem que as pessoas saibam direito o que é isso”, disse a presidente da FECCAMTO.

Ela reforçou que a discriminação da religião vem da época da escravidão. “Como os brancos, senhores de escravos queriam manter o domínio dessa mão de obra negra a todo custo, a tentativa foi de catequizar os negros e submetê-los, além da força bruta, também a religião do homem branco”, relatou.

Isso não funcionou porque boa parte do povo negro que chegou aqui escravizado ao longo das décadas foi se libertando, foi se organizando em Quilombos, mantendo uma resistência, inclusive cultuando seus orixás sob o manto do santos católicos, disfarçando a sua crença”, contou ela, sobre o surgimento do sincretismo, que é a união de doutrinas diferentes.

A liberdade de culto foi promovida desde a década de 40 no Brasil, num projeto de autoria do então Deputado Federal Jorge Amado, e mesmo hoje é um desafio para os praticantes dessas religiões.

Ainda existe um desafio para o povo de santo, povo de terreiro ser respeitado na sua crença, então ainda há confronto, pastores desafiando pais-de-santo, evangélicos criando situações de constrangimento para casas de culto, para pessoas individualmente e há uma série de situações de intolerância religiosa”, disse a presidente.

Há inúmeras vertentes de cultos de matriz afro e é mais comum do que se imagina, como contou Roberta de Oxoguiã. “Existem as benzedeiras, que embora seja um trabalho com santos católicos, trabalham com ervas, com o conhecimento da pajelança que os índios e os negros trouxeram. Existe o Terecô, que veio do Maranhão, grupos de culto à Jurema, Umbanda, Candomblé, o culto à Orixá na tradição Africana, o culto a Ifá que é o Orixá do destino, que é um culto distinto do culto orixás e muitos outros”, afirmou.

Catalogado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) há mais de 3 anos, existem mais de 25 casas que permitiram ser identificadas, além de outros pontos de culto, fundos de quintais, quartos de santo, pessoas que fazem os seus rituais e mantém acesa sua fé, mas sem se declarar para não sofrer nenhum tipo de represália.

Roberta de Oxoguiã acredita que as pessoas devem procurar conhecer mais, pois o conhecimento é a luz que enfrenta a treva da ignorância. “Quando você conhece as diversas crenças e você compreende que as pessoas têm direito a preservar a crença dos seus antepassados, manter viva a memória dos seus ancestrais, você compreende que não há nenhum mal nem ameaça nisso, então se eu quero tocar um tambor, cantar uma cantiga de 2 ou 3 mil anos atrás, qual é o problema nisso?”, questionou ela.

Ela também contou que é comum as pessoas procurarem terreiros em momentos críticos da vida. “Na hora do aperto todo mundo tem um pé do terreiro, porque isso tá muito entranhado na cultura brasileira e tocantinense. O povo tocantinense na sua origem mais de 70% é negro ou afrodescendente”, contou ela, lembrando do povo escravo que ergueu as grandes cidades do norte goiano, como Natividade, Dianópolis e Porto Nacional.

Roberta também falou sobre a existência de afrodescendência na história do Tocantins. “São muitos descendentes que trazem sua reza, sua mandinga, seu conhecimento para tirar o quebranto, para levantar uma ‘arca caída’, o seu cházinho, a sua erva que tira uma dor de cabeça, a que cura uma doença, então porque não respeitar isso?”, alfinetou.

“É preciso haver respeito com relação a isso, procure conhecer, visitar as casas de axé, saber com quem vive isso no dia a dia, e aí haverá menos preconceito e mais respeito. Nós não precisamos ser tolerados, somos cidadãos de primeira classe como qualquer outro e nós precisamos ser respeitados, que é o que a lei nos faculta e garante”, finalizou ela.

Fonte: AF Notícias

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Prazo do REFIS e IPTU é prorrogado até o dia 15 de maio

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A Prefeitura de Gurupi por meio da Secretaria Municipal de Planejamento e Finanças prorroga o prazo do REFIS, Programa de Recuperação Fiscal e pagamento do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). Para pagamento a vista ou parcelamento o prazo final passa a ser 15 de maio.

O REFIS é uma excelente oportunidade para o contribuinte que eventualmente tenha débitos com o município, como IPTU, ISSQN, Alvarás e outras taxas municipais, poder quitar a sua dívida. Para isso o programa oferece desconto de 100% nas multas e juros em pagamento a vista e de até 80% no pagamento parcelado.

O contribuinte terá neste prazo o desconto de 20% no pagamento a vista e a oportunidade de parcelar em até cinco vezes sem juros o seu IPTU. Para isso, basta imprimir o seu boleto no site da Prefeitura de Gurupi, clicando em (Consulte seus débitos), ou se dirigir até os guichês de atendimento na Secretaria Municipal de Planejamento e Finanças, na Rua 01 entre Avenidas Maranhão e Goiás, no Centro.

Fique atento e não perca a chance de estar em dia com os seus débitos.

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Fundação Cultural de Palmas apoia 15ª edição da Paixão de Cristo, que acontece na sexta-feira 19

A entrada é 1kg de alimento não-perecível, que será doado a instituições e famílias carentes de Palmas

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A entrada é 1kg de alimento não-perecível, que será doado a instituições e famílias carentes de Palmas

A Fundação Cultural de Palmas (FCP) é uma das apoiadoras do espetáculo 15ª edição da Paixão de Cristo que será realizada na sexta-feira, 19, às 19 horas, na Praça dos Girassóis. Neste ano a encenação conta com a participação de indígenas de seis aldeias Xerente, da cidade de Tocantínia. A entrada é 1kg de alimento não-perecível, que será doado a instituições e famílias carentes de Palmas.

Para o diretor-geral do espetáculo, Valdeir Santana, a participação dos indígenas enriquecerá ainda mais a produção e é também uma forma de homenagem, pois coincide com o Dia do Índio. “O público perceberá a presença marcante dos indígenas logo na abertura, que contará com danças típicas da comunidade Xerente”, adianta o diretor.

Mais de 40 indígenas da comunidade Xerente integram a equipe, que tem a estimativa de reunir cerca de 500 pessoas, dentre equipe técnica, atores, figurantes e produção. Com o slogan ‘uma paixão feita por muitos’, o time da Paixão de Cristo integra ainda adolescentes internos do Centro de Atendimento Socioeducativo de Palmas (Case) e alunos da Associação de Pais e Amigos do Excepcional de Palmas (Apae), que se juntam a atores profissionais e amadores.

“Estamos cumprindo o IDE de Jesus Cristo, que não vê segregação de classe para levar a mensagem da Cruz. São pessoas que, geralmente, não têm a oportunidade de estar em uma produção teatral. Mas estão aqui para provar que eles podem muito, que são muito talentosos e também que estamos cumprindo o verdadeiro papel do teatro sacro que é de evangelizar e também incluir”, complementa.

Ainda há vagas para o elenco de figuração e os interessados em participar, devem se inscrever pelo whats da Companhia (9 8484-5422). Podem participar pessoas de todas as idades, com ou sem experiência e de todas as religiões. Os ensaios gerais acontecem na quarta e quinta-feira, 17 e 18, a partir das 19 horas, na Praça dos Girassóis. Todos os voluntários serão certificados pela Pró-reitoria de Extensão da Universidade Federal do Tocantins, através de uma parceria com a Art’Sacra.

Espetáculo

A Paixão de Cristo na Capital é realizada pelos voluntários da Cia Art’Sacra de Teatro e, de acordo com a organização, é considerado um dos maiores espetáculos a céu aberto na região Norte do País. Conforme o diretor de elenco da Paixão de Cristo 2019, Leo Sampaio, o espetáculo neste ano está com novidades. “Pensamos em inovar, sem perder a qualidade e a mensagem da Paixão de Cristo. O público perceberá a influência e participação das mulheres dentro da Paixão de Cristo, pois, mostraremos a Paixão através dos olhares das mulheres que diretamente fizeram parte da vida de Jesus naquela época”, alega, acrescentando ainda sobre a grande participação de mulheres na companhia.

Segundo ele, o roteiro foca a descendência das mulheres da família de Jesus para dentro da Paixão, até a chegada da sua Mãe Maria. “A Samaritana, Madalena, Maria e Marta, dentre outras, onde cada uma delas mostrará como era a paixão de Cristo, esta paixão que começou no amor ao próximo em acolher cada pessoa desprezada, rejeitada e excluída, até mostrar ao mundo o mais belo e verdadeiro amor que foi morrer de na cruz, mostrando que Ele nos ama e nos acolhe de braços aberto na Cruz. Pois a cruz não é sinal de morte, mas de vida e vida em abundância”, finaliza.

Patrocínio

O Projeto foi aprovado pela Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, com autorização para captação de cerca de R$ 300 mil. Porém, o grupo não encontrou empresa para a captação. Desta forma, diante da falta de patrocínio, o grupo se empenhou com a realização de atividades beneficentes como galinhadas, arrecadação de doações e rifas, dentre outras atividades para custear as principais despesas. A FCP apoia o evento através de emenda parlamentar.

Reconhecimento

O espetáculo da Paixão de Cristo realizado pela Art´Sacra Cia. de Teatro foi instituído no calendário de eventos oficiais do município de Palmas, Lei 2.287, de 10 de janeiro de 2017. Em maio de 2010, a Fundação Cultural do Estado do Tocantins concedeu ao espetáculo teatral sacro da Paixão de Cristo, evento Cultural do Estado, pelos seus trabalhos realizados na área de teatro e formação. Tal reconhecimento ressalta a sua importância na sociedade como uma entidade que fomenta a cultura, às artes, sacra e popular e colabora desta forma com a formação cultural do Estado do Tocantins.

 História

A Cia foi fundada em 16 de maio de 2005 por um grupo de jovens apaixonados pelo teatro e que sempre atuavam nas apresentações sacras onde dramatizavam passagens dos Evangelhos e outras temáticas para reflexões litúrgicas e formações sócio-educativas na Paróquia Dom Orione, em Palmas.

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Confira o que abre e o que fecha na Saúde durante a Semana Santa em Palmas

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também funcionará de forma ininterrupta, podendo ser acionado pelo telefone 192

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Parte da rotina dos serviços públicos da rede de saúde de Palmas durante o período da semana será modificada para se ajustar ao ponto facultativo decretado pela Prefeitura de Palmas nesta quinta, 18 e o feriado da Sexta-feira Santa, 19. Desta forma, nos dois dias os Centros de Saúde da Comunidade (CSCs) e os atendimentos administrativos realizados na sede da Secretaria da Saúde não irão funcionar.

Já as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul, o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (Caps AD III) vão atender normalmente, 24 horas por dia. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também funcionará de forma ininterrupta, podendo ser acionado pelo telefone 192.

Na segunda-feira, 22, todos os serviços voltam no expediente normal.

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