Conecte-se conosco

Geral

Raylinn Barros da Silva / História e Histórias do Tocantins: Alguns Apontamentos

Publicados

em

No âmbito das comemorações do aniversário de 31 anos do Estado do Tocantins, tanto do ponto de vista da história como também do que é escrito sobre essa história, se faz necessário alguns apontamentos. Primeiro, como sabemos, a história do Tocantins está vinculada à de Goiás até o final do século passado, quando, em 5 de outubro de 1988, a promulgação da nova constituição desmembrou o território de Goiás, dando origem ao Tocantins. Ou seja, qualquer que seja o olhar, a história do Tocantins parte da história de Goiás.

Segundo, é importante registrar que os verdadeiros construtores dessa história são as pessoas comuns, o povo que há muito habita essa região e que sem eles, não haveria nada a se registrar sobre esse percurso histórico. Muito se debate, quando se refere à história, sobre os papeis dos sujeitos que a constroem. Do ponto de vista metodológico, sempre optei em buscar no povo comum, os verdadeiros construtores da história, não que determinados sujeitos não tenham tido papel relevante em determinados processos, mas mesmo esses sujeitos ditos “privilegiados” no processo, nada fariam se não existissem os ditos “anônimos” da história.

Ao considerarmos o povo comum como os verdadeiros construtores da história do Tocantins, resta uma reflexão: O que se tem escrito sobre a história do Tocantins, suas histórias? Destacam-se três leituras: a política, a didática e a acadêmica. Sobre a leitura política, ela tem suas raízes na figura do desembargador Joaquim Teotônio Segurado, um fazendeiro e político que viveu na região e que no início do século XIX defendeu a separação de Goiás como estratégia para o desenvolvimento do norte. Esse personagem foi “alçado” por alguns personagens políticos do Tocantins contemporâneo como um herói, nada mais que uma estratégia para buscar “justificar” as lutas e os interesses desses agentes políticos no tempo presente, Segurado é então, o “mito” fundador do Tocantins e que justifica suas lutas.

A leitura didática gira em torno de alguns elementos dessa história política e que por necessidade de ser simplificada, ou melhor, entendida pelo grande público, foi produzida em forma de apostilas e livros em âmbito regional. Por sua linguagem de fácil acesso e sem os meandros que envolvem uma escrita científica, essa leitura é utilizada, basicamente, como conteúdo para concursos. Vale destacar que essa leitura didática dialoga abertamente com a leitura política, ambas, sem nenhuma problematização.

Já a leitura acadêmica, ela tem como ponto de partida escritos de pesquisadores vinculados à universidade. São leituras baseadas em pesquisas que privilegiaram a abordagem metodológica de fontes, o cruzamento de dados, a articulação desses dados com princípios teóricos e, sobretudo, a busca de novas explicações para o processo histórico de formação do norte de Goiás, região que daria origem ao Tocantins no final do século XX.

Os primeiros esforços para a compreensão da história do norte de Goiás, região do atual Tocantins, encontram respaldo nas análises do historiador Luis Palacín. Outra análise com respaldo acadêmico são os escritos da historiadora Maria do Espírito Santo Rosa Cavalcante, como também a historiadora Temis Gomes Parente. Destaca-se ainda a coletânea de textos organizados por Odair Giraldin, como também os escritos de Fabrízio de Almeida Ribeiro que em sua dissertação buscou problematizar o que ele chamou de “A invenção do Tocantins”. Mais recentemente, alguns professores do campus de Araguaína e Porto Nacional, ambos da UFT, vêm oferecendo significativa produção acadêmica que pensa a história regional, espaço em que se construiu o Tocantins.

Portanto, qual a importância de se ter em mente essas três leituras possíveis sobre a história do Tocantins? Primeiro, conhecer é caminho para a formação de uma consciência, tanto do ponto de vista cognitivo, quanto do ponto de vista do pertencimento. As novas gerações que nasceram nessa região a partir de 1988, precisam conhecer que muito além de uma leitura política de quem na maioria das vezes só busca obter vantagem com a história às custas de fenômenos passados, como também saber que existe uma leitura didática que muito pouco oferece do ponto de vista da formação, existe uma leitura acadêmica, fruto de pesquisas científicas.

Para além dessas três leituras possíveis, e voltando às preocupações sobre os verdadeiros construtores da história do Tocantins, aqueles que chamamos talvez erroneamente de “anônimos” da história, infere-se que eles são os protagonistas do processo, visto que sem eles não haveria do que se contar. Esse povo comum que cotidianamente constrói desde antes do século XIX a história dessa região são, nesse sentido, os protagonistas desse processo histórico que tem na leitura acadêmica da história do Tocantins sua voz e seu rosto, espaço de reflexão e de conhecimento sobre o nosso passado, condição indispensável para a compreensão do nosso presente.

RAYLINN BARROS DA SILVA
É doutorando e mestre em História pela Universidade Federal de Goiás
[email protected]

Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Geral

Agrotins 2020 100% Digital é destaque na mídia nacional

Matérias veiculadas em rede nacional e publicadas em sites especializados em cobertura do agronegócio

Publicados

em

A matéria do Jornal Hoje destacou ainda os cuidados que a equipe de técnicos tem tido com a saúde, no sentido de realizar testespara Covid-19, higienização e evitar aglomeração

A edição inovadora da Feira Agrotecnológica do Tocantins – Agrotins 2020 100% Digital ganhou destaque no cenário nacional com matérias veiculadas e publicadas em diferentes meios de comunicação como a Rede Globo de Televisão, os portais online do Jornal Valor Econômico e a Revista Globo Rural, e ainda sites especializados na cobertura do agronegócio como Notícias Agrícolas e Canal Rural.

Na reportagem produzida pela TV Anhanguera e veiculada na edição do Jornal Hoje desta sexta-feira, 29, produtores e empresários falaram sobre a oportunidade de expandir seus negócios. “Disponibilizando quantidade, telefone para contato, todos as informações que precisa, a gente está podendo comercializar pela Agrotins 2020 100% Digital”, comemorou o produtor Valdemar Martins de Souza que acompanhava a programação e postava fotos de seus produtos na plataforma www.agrotins.to.gov.br.

O empresário do ramo de energia solar, Fernando Luís, falou da possibilidade de fechar negócios fora do Estado. “Anteriormente, a gente ficava restrito a quem passava ali na frente do estande. Essa feira está sendo nacional, não está somente no estado do Tocantins”, afirmou.

A matéria destacou ainda os cuidados que a equipe de técnicos tem tido com a saúde, no sentido de realizar testes para Covid-19, higienização e evitar aglomeração.

Mais repercussão

Na Revista Globo Rural, o destaque foi para o potencial produtivo agropecuário. “O Tocantins deve aumentar a colheita de grãos em 657 mil toneladas, para um total de 5,5 milhões de toneladas, crescimento de 13,6%”, informou a publicação, ressaltando que maior produção implica em mais investimento no campo, dando destaque ainda para as perspectivas de negócios as instituições financeiras na feira.

O Valor Econômico destaca a fala do secretário de Agricultura, Pecuária e Aquicultura, César Halum. “Não tem nenhuma outra feira no Brasil e os produtores poderão entrar pelo computador, tablet, celular e navegar de qualquer lugar. Preço de oferta de feira tem aqui, juros e condições especiais estão aqui. Quem procurar vai ver que no Brasil não tem lugar mais barato”, afirmou.

A Feira

A Agrotins 2020 100% Digital pode ser acompanhada pela plataforma www.agrotins.to.gov.br. A programação se encerra logo mais às 20 horas com Leilão de Touros, mas todo o conteúdo de palestras, cursos, mesas redondas, debates, enfim, tudo o que rolou na programação ficará disponível por mais 30 dias após o encerramento da feira.

 

Continue Lendo

Geral

Beneficiamento de frutos do Cerrado é destaque em live da Agrotins 2020 100% Digital

Especialistas afirmam que o Cerrado pode ser preservado e ainda assim gerar renda com seus frutos

Publicados

em

Beneficiamento de frutos do Cerrado é destaque em live da Agrotins 2020 100% Digital

O bate-papo com o tema “Gestão de unidade de beneficiamento de frutos do Cerrado” foi ao ar na tarde desta sexta-feira, 29, durante a Feira Agrotecnológica do Tocantins – Agrotins 100% Digital com a engenheira de alimentos, Graziela Paludo, especialista em agroindustrialização dos frutos do Cerrado.

O Cerrado, também conhecido como savana brasileira, é o segundo maior bioma da América do Sul, e traz uma diversidade enorme em sua fauna e flora. O Estado do Tocantins é privilegiado, pois seu território é tomado por este bioma, que possui frutos típicos que são valorizados na região.

A conversa foi mediada pela gerente de Fomento à Agricultura da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Aquicultura do Tocantins (Seagro), Verônica França, que de início, explicou que é possível manter o Cerrado preservado e ainda assim gerar renda, agregar valor e alavancar o desenvolvendo agroindustrial do Estado. “O Tocantins é um Cerrado de oportunidades. Esse é o caminho. Conectar todas as pontas. Mas a exploração tem que ser sustentável para ter uma matéria-prima de boa qualidade, logo, tendo excelentes produtos”, afirmou.

A engenheira de alimentos Graziela Paludo, destacou um case de sucesso no município de Nova Olinda. A Associação de Apicultores da cidade (Aapino) além de trabalharem com mel, também produzem polpas de frutas em períodos sazonais. Ela explica que eles adquirem a matéria prima de pequenos produtores rurais de assentamentos da região, assim, movimentando a economia local, e gerando renda aos assentados. “Essa atividade mantém a casa de polpa funcionando mesmo em todos os períodos do ano”, disse a especialista.

Graziela Paludo conta que a agroindustrialização agrega valor aos frutos do Cerrado. “A fruta do cajá, por exemplo, não tem tanto valor equiparado a polpa da fruta. Pois o produto tem uma durabilidade e versatilidade maior”, explicou.

Desafios

A engenheira também comentou um pouco sobre os desafios enfrentados por esses pequenos produtores, pois precisam de maquinário para transformar a matéria-prima (frutas) em polpas e outros produtos derivados. “O principal entrave desses produtores são a orientação. Muitos não têm a Seagro para orientá-los, e eles acabam se perdendo no caminho, e não conseguem manter o trabalho”, disse Graziela Paludo.

A especialista ainda pondera que muitos acabam investindo mais do que é preciso, e não tem noção do custo de operacionalização de uma casa de poupas. “Mesmo tendo equipamentos bons, eles acabam se desgastando e precisam ser substituídos ou consertados. E os produtores não possuem um capital de giro para manter estes consertos e outras despesas. E eles não estão preparados para estes custos antes das primeiras vendas”, explicou.

Gastronomia

Em uma pequena participação, a chef e embaixadora da gastronomia no Tocantins, Malena Mota, destacou a união dos setores para fomentar a economia. “Acredito no poder da gastronomia. Com a gastronomia , agroindústria e pecuária, poderemos alavancar a produção de frutos do Cerrado. Temos a responsabilidade de divulgar esses produtos. Ninguém faz nada sozinho. Todo mundo deve trabalhar unido”, concluiu.

 

Continue Lendo

Geral

Investimentos científicos na área da apicultura tem sido uma realidade no Tocantins

Troca de experiências entre pesquisador e apicultores, têm favorecido rendimento e qualidade ao mel e a própolis de produtores familiares

Publicados

em

Troca de experiências entre pesquisador e apicultores, têm favorecido rendimento e qualidade ao mel e a própolis de produtores familiares

Um estudo há mais de dez anos na área apícola do Tocantins tem fortalecido o arranjo produtivo do Estado por meio do suporte científico, tecnológico e de gestão aos produtores da agricultura familiar. Com o apoio do Governo do Estado através da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt) o segmento tem alavancado em diversas regiões do Estado.

Um projeto coordenado pelo professor e pesquisador da Unitins de Araguaína, Cláudio Henrique Fernandes, tem favorecido inovação científica ao setor apícola do Tocantins e garantido um padrão de qualidade conforme os parâmetros exigidos pela legislação brasileira, além de rentabilidade aos agricultores familiares. “Temos estudado a qualidade do mel e a atividade biológica, além das propriedades químicas da própolis regional da área do ecótono (cerrado – Amazônia) e transferido essas tecnologias aos produtores. E o estudo resulta em benefícios medicinais como funções antimicrobiana e antifúngica”, explica o pesquisador.

Público beneficiado

Como parte do estudo, comunidades de agricultores familiares do Estado tem tido o acompanhamento do pesquisador da Unitins, como o Assentamento Caju Manso no município de Araguaína, Associação de Apicultores de Nazaré (AAPINA), no município de Nazaré; Associação de Apicultores do município de Nova Olinda (AAPINO); Núcleo de Produção Agropecuária (NPA) 01 de Araguaína; Núcleo de Produção Agropecuária – Ventura da cidade de Piraquê; Associação de Apicultores de Miracema (Apromir); Associação de Apicultores de Miranorte; Assentamento Entre Rios da capital Palmas; Associação de Apicultores da cidade de Santa Tereza, Núcleo de Produção Agropecuária – Borborema do município de Arapoema.

“A pesquisa realizada nessas comunidades tem favorecido um levantamento de dados acerca da real situação dos produtores, visando obter um estudo socioeconômico das comunidades, além de diagnosticar o grau de rentabilidade do produto. Com isso, a tecnologia tem contribuído com a cadeia produtiva da apicultura o que representa um grande avanço da própolis, que era inexistente à insipiente, passando a ser significativa pela produtividade e alta qualidade”, ressalta Cláudio Henrique Fernandes.

Apoio do Governo

O setor está em ampla expansão no Estado, e para favorecer a capacitação de mais apicultores, o pesquisador contou com o apoio do Governo do Tocantins, por meio da Fapt, em parceria com a Secretaria do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária (Seagro) para o desenvolvimento do projeto, Estruturação de apiário e Meliponário Didáticos para Agricultores Familiares (Apiensino), que viabilizou os equipamentos de trabalho.

A Unidade didática da apicultura e meliponicultura como assim é denominada, facilitará a capacitação e o desenvolvimento de competências e habilidades com a realização de pesquisas na unidade didático-pedagógicas visando o aumento da quantidade de produtos apícolas e de meliponicultura, além de contribuir com a transferência de tecnologia desenvolvida na pesquisa para os produtores.

Capacitação de apicultores

O projeto envolve o tripé (ensino, pesquisa e extensão) que tem favorecido a realização de dias de campo e capacitações, a exemplo da IV feira do Mel na Associação dos Pequenos Agricultores do projeto Sudam – APAS realizada em 2019 no município de pau D’arco, além do III Encontro Regional de Apicultura Tocantínia, realizado no início deste ano em Araguaína. Ambos têm favorecido conhecimentos inovadores à área de apicultura e meliponicultura.

Apoio científico aos apicultores

Os conhecimentos científicos têm viabilizado transferência de tecnologia aos envolvidos. Para a apicultora de Araguaína, Maria Corrêa Alves, que soma 22 anos de experiência com o mel e a própolis, a troca de experiência, o acompanhamento, o treinamento e a análise científica dos produtos por meio do pesquisador tem incentivado a produção da própolis. “Apesar de trabalhar há muitos anos com o mel, a participação nos eventos voltados para apicultura, tem trazido conhecimentos inovadores e favorecido a rentabilidade. Por ser um produto de qualidade, a procura é muito grande por parte dos consumidores, e infelizmente não consigo atender a todos”, relatou. O mel da apicultora tem sido comercializado somente em Araguaína, com prospecção de expansão da própolis na região.

“Temos tido rendimento significativo devido a interação, incentivo e apoio do trabalho de pesquisa científica desenvolvido em Araguaína pela Unitins. As orientações recebidas têm agregado valor ao produto e favorecido qualidade e aceitação do mercado de Araguaína. E o resultado tem sido positivo a todos os apicultores envolvidos nesse segmento”, explicou o Presidente da Associação de Apicultores e Meliponicultores de Economia Sustentável e Solidária de Araguaína e Região (Apimessar), Antônio Manoel de Araújo.

Expectativa

Em virtude da pandemia, as atividades com o público foram suspensas a fim de evitar a proliferação de contágio dos envolvidos. Mas já prospecta retorno, com adaptações de prevenção assim que tudo se normalizar. No entanto, as atividades técnicas de campo tais como implantação e manutenção das colmeias continuam sendo conduzidas normalmente pelos integrantes da Apimessar, através dos apicultores representantes da entidade, que tem dado uma contribuição importante para o projeto.

 

Continue Lendo

Notícias